segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sonho de areia

É como estar numa praia. Sentindo aquele vento amigo batendo no rosto numa carícia necessária. O sol brilhante dourando todo o paraíso. O tempo que anda passos curtos para minha alegria. È assim a sensação que carrego quando estou em paz, quando estou em Deus. Nesse eterno paraíso de um mar que nunca se cansa de ondejar.
Vejo as pessoas indo e vindo. Em todos os rostos aquele toque de felicidade permitida e muito rara. Não estou falando de uma praia qualquer. Estou dizendo do estado da minh’alma. Na entrada dela tem uma placa que diz que o paraíso está logo ali. Caminho primeiro entre pedras com meus pés descalços e chego à areia fofa e quente dos meus sonhos.
Passo os olhos nesta paisagem calma que me diz que tudo é perfeito. Começo a brincar com as crianças que sempre que mostram que sonhar é possível. Com baldes e pás começo a dar forma aquele monte de areia que tantos calcaram. O sorriso vai tomando forma também em meu rosto que me faz ser criança também. Sinto-me um deles naquele momento, numa felicidade egoísta, de um sonho que vai sendo construído com minha mão. O castelo já tem torre, paredes, um penhasco e fosso. Tudo feito com cuidado esmerado. Certa delicadeza. Paciência.
Num instante, tudo está pronto. Olho minha arte enquanto essas crianças batem palma e fazem festa. Sorrio abertamente orgulhoso de meu castelo que não tem rei ou rainha, nem príncipes, nem princesas, somente um lugar que poderia ter sido meu se a maré das potentes realidades não viesse em forma de onda levando todo meu trabalho a ruína. As crianças tristes correram para suas casas e eu fique ali perto do monte de areia que um dia foi um sonho.