segunda-feira, 26 de maio de 2014

quando crescer

perguntavam o que ele seria quando crescesse...
não sabia nem se iria crescer
seus pais eram anões

pneumonia

o ultimo adeus foi frio tanto que ela morreu de pneumonia

casal ideal

ela falava de mais e ele era surdo... como funcionavam

pisando na bola

pisou na bola de novo... tinha pés tortos e jogava bola assim mesmo

menos ele

todo mundo riu menos ele... o acidente foi trágico

sozinho

falava sozinho e sempre discutia

quarta-feira, 21 de maio de 2014

tratante

era um tratante de marca maior
nem no dia de seu enterro chegava no horário

Quase pedido

ele queria pedi-la em casamento 
ela pediu a palavra primeiro
ficou sozinho na mesa olhando a aliança na mão

vocação à medicina

nasceu para ser médico
era frio, egoísta e nem aí com os problemas dos outros

sufocada

o amor dele a sufocava, se ele não parasse morreria estrangulada

paixão

ela se apaixonou por ele na primeira bofetada

homem pequeno

era tão pequeno que vivia beijando os pés dela

mentiroso

contava tanta mentira 
que tornou-se a maior mentira por ele inventada 

entendimento

ele queria o corpo dela
e ela dinheiro
no dia do pagamento eles se entendia muito bem

cabelo na comida

cabelo na comida dele. Pedido : queria mais uns fios para viagem

caminhava

caminhava caminhava bum caminhão acabou com sua caminhada

sinal vermelho

ela tentou ultrapassar o sinal, não pôde
o namorado a respeitava demais

direita

mascava chicletes como uma puta, mas era menina direita

poeta calado

o poeta calou-se
sentiu o silêncio poético ao redor

telefone

no telefone só ela falava 
a linha estava muda 

terça-feira, 20 de maio de 2014

inversão

o pai queria brincar
o filho queria assistir ao jornal

vomitando

ela vomitou toda sua verdade e fez ele comer tudinho

calos

escrevia escrevia sem parar
não tinha marcas nos dedos
só calos no coração

enjoada

ela andava enjoada com tudo e todos....
descobriu alguns dias depois que estava grávida

o fim

quando pensou ter chego ao fim, virou a página e bocejou...

queria um filho

queria ter um filho... ligou na disque entrega

esperando

dia após dia esperando
quando o dia chegou finalmente
ela dormia profundamente

batiam de frente

batiam sempre de frente, ambos não sabiam dirigir

sonhava acordado

sonhava acordado. Tinha insônia....

olhos chuvosos

o céu estava claro mas seus olhos choviam sem parar

cara de pau

era um cara de pau. Comeu cupim no almoço e nem ofereceu

pensar positivo

Mandaram pensar positivo. Pensou na sogra explodindo pelos ares e sorriu...

atropelado

foi atropelado pelas palavras
e foi socorrido pelo silêncio

carreira

começou sua carreira de assassinato na escola. Matava aulas...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

olho roxo

beijou a força
sentiu  a força depois
o olho roxo no outro dia

espirro fatal

espirrou forte
saúde
tarde demais, o pulmão estava na calçada

lendo a mão

foi ler a mão.
não pôde.
sua vida era um garrancho que só

o tempo cura

esfregava o relógio na ferida aberta
disseram-lhe que o tempo cura

a fralda

o velho usava fralda e começou a chupar chupeta

bala perdida

bala perdida parou para pedir informação

palhaço

era um palhaço quando bebia e um carrasco de ressaca

beijo ótimo

o beijo era ótimo a pessoa que beijou... péssima

falando com as paredes

falava com as paredes. Estas em resposta caiu em sua cabeça

desconhecidos

os desconhecidos se cumprimentam, pronto um conhecido a mais

sem rumo

andava sem rumo, pensando aonde ir... chegou! Aonde mesmo?

olhou de novo

olhou, olhou de novo
aquele rosto lhe sorriu? não?

mente suja

era de mente tão suja que foi interditado pela vigilância sanitária

fumante chato

_ o que? Não posso fumar aqui dentro? Então eu saio para fumar lá fora....
_ Mas, Senhor estamos voando, não percebeu?, respondeu a comissária

perdido

havia perdido tudo, inclusive a memória

o medíocre

era medíocre mas sua média sempre era alta

quinta-feira, 15 de maio de 2014

pulava

pulava na poça d'água
espirrava longe longe
não pula mais, cresceu muito muito

banho de chuva

banho de chuva 
água gelada no corpo quente 
tudo refresca, até a memória 

rastro

foi-se embora deixando para trás um rastro de perfume importado

saudades

saudades do teatro, dos palcos
enjoado de mim

beijo molhado

o primeiro beijo foi molhado
chovia no quintal

fumaça e espirro

fumaça de cigarros, espirros
mais fumaça, mais espirros
abre a janela e adeus fumaça

benção

pediu benção para sua avó
ela não respondeu pela primeira vez
Sabia que ela tinha mesmo partido

medo de cair

os meninos andam de skate
como queria ter aprendido a não ter medo de cair

desejo de beleza

aquela era  a beleza que ela queria ter
quando custa uma plástica?

um susto

balança vai balança vem
ahhhh arrebentou, caiu na grama
foi só um susto

casa da infância

aquela casa da infância permanece em pé em suas lembranças

vida urbana

gente gente gente
carro carro carro
fumaça fumaça, fogo
eta vida urbana!!!!

ultimo gole

era a ultima vez que pegava no volante
sentiu isso quando tomou mais um gole de uísque

acidente

acidente horrível mas sem incidentes
dois carrinhos bateram no corredor do supermercado.

assalto

entre a vida e o tênis, escolheu o que era de precioso
o tênis ficou no pé daquele corpo agora sem vida

ostra

era uma ostra
não se abria com ninguém
e nem sabia que tinha pérolas dentro dele

quarta-feira, 14 de maio de 2014

analfabeto

a sua vida era um livro aberto só que ele não sabia ler e nem escrever

abandonada

todos se foram de sua vida menos a artrose

pagamento

pagava todas as dividas em dia... Até seus pecados estavam em dia

familia

1 mulher
5 filhos
1000 problemas

declaração

Treinou tanto a declaração no espelho que apaixonou-se perdidamente por si mesmo

Correu tanto

Correu tanto na vida que morreu atropelado... Era sinal vermelho...

suicida

prometeu que se mataria... Ficou assistindo a propaganda eleitoral para ter morte lentaaaa

criançAdulto

 a criança olhava o adulto e ansiava crescer logo... E o homem? soltava pipa e andava de skate...

no ponto

Dormiu no ponto, acordou com interrogações... Cadê o ônibus? havia partido sem ele

troca de informações

Era o tempo que os jogadores trocavam informação de jogo nos vestiários
agora a moda é trocar marca de shampoo...

Facebook

E dai que o mundo tá em guerra e os homens morrem de fome?
que tem o desemprego, a calamidade, o aquecimento global?
que tem os problemas do mundo inteiro?
Dane-se... importa saber que houve com meu Facebook que não consigo entrar

Culpa

o pai lhe culpou diante de todos
mas aquele culpa não era sua
já tinha outras para carregar

quinta-feira, 8 de maio de 2014

esquecer

tinha mania de esquecer , seu defeito
a dificuldade de lembrar o constrangia
queria esquecer aquele momento e não conseguia

doce

comprou um chocolate para si próprio
iria comê-lo sozinho
o doce egoísmo
amarga solidão

desejo grande

houve aquele desejo enorme, absurdo de ser entendido
era um desejo grande demais
que não cabia em sua vida

queria ser

queria ser bom em alguma coisa
não era...
queria ser bom
ah queria...
não queria ser bobo
e era...


canto

ouço pássaros que cantam
a melodia de vida
a vida cantada e agora contada
sou pássaro que escreve

caminhada

passos vão
e o caminho que nunca termina
a esperança do chegar
lá está muito longe ainda
ainda se anda, anda, anda 

solidão

sozinho no quarto

horas de sossego

momento só

eu e eu

paz

terça-feira, 6 de maio de 2014

tempo contado

o tempo contado e logo tenho que ir
a vida me chama
a de verdade
a dura vida
que contem todas as cores
inclusive o cinza
 o dia começou frio
e eu quente de espera
e o tempo pronto para correr mais uma vez
e eu pronto para viver
mais uma vez
talvez a
ultima...

o pedido

O pedido veio em meio ao sorriso dado
uma conversa boba em plena manhã
envergonhado, o velho
sereno, eu
Sorri mostrando abertura
o pedido veio...
disse que sim...
o favor
o favo de todos nós
o mel do dia...
a doçura da mão estendida
hoje, ele
amanhã, quem sabe eu?

sonho

Ela aparecia
bem diferente
mais jovem
era ela
sorria sorrio
ela me pede palitos de dentes
de dentes?
busquei...
ela sumiu
acordei
ela sumiu...

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Quando ela vem

Falo da morte com medo, mas não o medo do que ele simboliza que é fim absoluto de tudo. Nem acredito nesse fim. O que existe são os recomeços, os eternos recomeços.... Ah! A morte apresentou-se para mim esse ultima semana levando minha avó materna que sofria com uma doença terminal. E a morte tão serena, tão misteriosa e limpa. A dor cessará com mudo silêncio que nada explica. E morte é para ser explicada? Espero que não pois seria menos um Mistério no mundo e preciso dele para viver. Essa morte que me exige respeito E tem. Afinal sempre se respeita o que não entende, o que não se mergulha fundo. Eu respeito a morte porque sei que sou respeitado por ela. Sua vinda é sempre avisada e vem na ponta dos pés, no meio da vida que acontece ( e acontece!) AH! Vivemos mais quando pensamos nela.... Valorizamos mais quando esbarramos nela... E seu mistério se mescla no mistério que a própria vida é... E só nos lembramos quando ela vem... quando ela vem.....

segunda-feira, 31 de março de 2014

Homem de Sexta Feira

Ah! falo do homem de sexta feira porque se distingue de todos os outros homens dos outros dias. Esse homem nasce dentro da leve alegria de viver. Já não medo e permite-se ser feliz. Ele anda livremente e anda com tamanha liberdade de ser que abre espaços para que os outros sejam. Seu céu sempre azulado mesmo quando ao longe as nuvens negras apontam. AH, se a chuva cair ele é bem capaz de entrar debaixo e fazer uma dança em celebração, afinal chuva é benção. Uma benção na Sexta feira. Ele sorri a todos e cumprimenta estranhos. Fala abertamente de que a vida vale a pena e os sonhos, bem são possível. Todos sentem-se muito bem ao seu lado. Muito bem. Os amigos não sentem a mínima ameaça de entrarem em contato com ele. Ele se permite aproximação. De sua boca o doce canto dos que foram tocados pela graça deste dia bendito, bendito sejas a sexta feira. Bendito o homem que deixa a energia deste dia singular invadir-lhe as veias. Tomar conta de todo o ser. Aquele que se deixa tomar por tal celeste sentimento... nunca mais será o mesmo. Porque uma vez tocado pela suave alegria que a liberdade deste dia acontece deixa marcas que se eternizam e apenas a lembrança dele em dias hostis fará o paraíso descer à terra. O homem de sexta feira sabe disso e vive sua semana sempre carregado do mais puro sentimento de sexta.

Pensando em você

 Quando o marido chegou em casa, após um árduo dia de trabalho, encontrou-a sentada no sofá lendo uma revista feminina. Trocaram algo que lembrava um cumprimento, algo mais formal que sentimental. Ele foi até a cozinha para beber um gole de água e também para dar tempo... Viera o caminho todo pensando em como abordá-la. Imaginava a cena. Os anos de convivência permita que antecipasse toda aquele diálogo... Ela se defenderia com unhas e dentes e tentaria provar sua inocência. Ela que sempre tinha argumentos para tudo. "Você também teria se lesse um pouco, mas nem liga", disparou ela num dia quente de discussão. "Eu? Ler essas porcarias de mulher? Nunca". Foi o que disse sentindo-se o macho da casa, a voz da razão. Por que leria aquelas coisas tolas? Sua vida, seu trabalho, seu tempo, tudo era de grande preciosidade.
  Escolhia as palavras com cuidado. E que horas falaria? Agora. Fale agora. Se você com ela já teria te matado antes que chegasse na soleira da porta. Sentou-se no sofá. A T.V. ligada... Ela mergulhada em sua leitura, nem dera muita atenção a ele. Ou fingia. Transbordava em beleza diante dos olhares angustiados que seu marido lhe dava... A agonia crescia com o passar dos minutos. Fale. Agora. Agora mesmo. Ou nunca mais. Abriu a  boca e as palavras  não vinham... Estancaram-se na garganta. E se eu deixar para lá? Esquecer? Deixar quieto? Talvez seja mentira. Não era. Todos os indícios estavam ali. Ela nem tomara cuidado em esconder. Agira como uma...
_ Vadia!
_ O que foi que disse? A esposa agora olhava para ele espantada. Será que era mesmo que ouvira. Não era possível! O marido a encara com os olhos cheios de água e ódio.
_ Eu soube... Eu sei... Você... Como pôde? Eu sempre te respeitei e você... Você agiu como uma vadia....
_ Não estou entendend...
_ Túlio!
_ Hã? Aquele nome cuspido pelos lábios do marido a fez estremecer. Como soubera? Encarava o marido atenciosamente.
_ E então? Perguntou o marido que dava sinais de querer saber. E seus olhos de um ódio magoado não aceitariam qualquer argumento. E ela foi objetiva.
_ Foi só uma vez.... Fraquejei. Não queria. Mas, aconteceu e se eu pudesse apagar o passado....
As mãos dele se fechavam pelo nervosismo e ela temia pelo pior... Não havia saída.... Meu Deus!
_ Olha, eu te amo. Te amo muito. E percebi isso quando estava com ele. Era em você que eu pensava enquanto era tocada. Era em você que meu pensamento buscava. Minha boca sussurrou teu nome várias vezes... Milhares de vezes. Então, meu amor... Eu só pensava em você, só em você....
Ele foi até ela. Sentia a força de suas palavras. Ela encolhia pensando que apanharia dele. E de repente o gesto, o beijo apertando seu lábios... O homem levantou-se em silêncio, saiu pela porta para rua, para o mundo carregando dentro de si o melhor argumento que ela lhe tinha dado e que ele aprendera. Agora poderia viver seus amores proibidos sem culpa, pois pensaria muito na esposa, muito, muito mesmo.