segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Valores e etc...

Ao longo da vida vamos aprendendo a perceber as imporntâncias das coisas. Vamos aprendendo que cada coisa tem o seu valor e que vai se modificando conforme vamos vivendo. Os brinquedos da infância como um carrinho ou uma boneca já não chamam mais nossa atenção numa prateleira. E assim em cada fase da vida vamos dando valores a certas coisas "apropriadas" a nossa idade.
Cada pessoa tem seu gosto. Tem suas preferências. Isto o torna um individuo completo, capaz de escolher entre tantas coisas aquilo que lhe traz alegria e certo prazer. Esses objetos e pessoas que nos afeiçoamos faz com que sejamos mais nós mesmos, mais livres e soltos.
Nunca devemos criticar o gosto de alguém ou mesmo forçar que o outro goste do que eu gosto. Deve haver um respeito pelos gostos e escolhas. Já fui muito agredido nesta área. Amigos me insuaram que meus gostos eram errados, que eu deveria ser assim ou assado. Usar aquele tipo de roupa, um piercing aqui e acolá, usar preto porque é o que torna elegante. Essas pessoas sem perceberem me disseram que ser eu mesmo é errado. Porque aquilo que me afeiçoo fala de mim, diz uma pequena parte do que sou, do que gosto, do que sinto...
Seria tão diferente se houvesse respeito pelo que o outro gosta. Seria um céu saber que posso ser eu mesmo sem ter o peso daquele olhar de estranheza do outro nos meus ombros...
Claro que existem coisas que as pessoas se afeiçoam que são destrutivas como as drogas, mas falo do respeito que se deve ter pelo ser humano que as usam. Ouça o que o outro diz com tudo aquilo... Ele atribui um valor áquilo por alguma razão...
Falando em valores penso neste mundo capitalista onde o ser humano é a ultima coisa a se dar importância. NInguém se importa com a felicidade alheia se esta não lhe trazer algum benefício. Grotesco isso. O ser humano deve estar acima do que possa existir. Conheço uma pessoa que deixaram de falar com seus pais porque estes não deram o tênis que este queria. Absurdo.
Olhe para sua vida e veja se não está trocando o ouro por bijuterias. Dando valor a uma falsidade e deixando ir embora o que realmente importa...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Areia do tempo

È uma sensação muito forte que vai e vem sem que eu escolha. Não tem escolha. Quando vejo lá está ela instalada dentro de mim e me cutucando com aquela verdade cruel: o tempo está passando e você não pode fazer nada. Na boca o sabor de minha impotência. Nos olhos a incapacidade de ver um novo amanhã, na mente o medo (sempre ele) espreitando nas sombras do meu pensar. A angústia cresce e inunda minha cabeça, que o diga o coração. Odeio essa sensação de que algo precioso está me escapando e que nunca poderei recuperar por ser único. Posso dizer o quanto me sinto menor nessas horas. Uma onda de culpa. Será por causa da má administração da minha vida que gera esse sabor amargo.
O tempo não para, cantava Cazuza. O tempo nunca para. Esse movimento constante acontece sempre sem que nada possa ser feito. Ou corremos ao lado dele e com ele ou ficamos para trás apenas sentindo aquela poeira em nosso rosto. Essa é a verdade crudelíssima deste mistério chamado: vida.
No nosso mundo contemporâneo, o homem tenta de todo jeito dominar o tempo. Isso se vê pelas jornadas de trabalho, o homem moderno sempre está correndo aqui e ali. Ele sempre está fazendo três coisas ao mesmo tempo recusando descanso neste período. Na estética, nunca fora inventado tantos produtos para amenizar as marcas do tempo deixados nos corpos. Engraçado que, andando por aí o gesto mais comum que vemos as pessoas executando é o olhar (mesmo que discreto) para o relógio de pulso ou no visor do celular. Eu tenho esse vício. Poucas vezes consigo me desligar do relógio.
Falando em vício relacionado ao tempo, também tenho o costume de andar rápido, esteja eu atrasado ou não. Aliás, nunca me atraso. Sou pontual demais. Chego aos meus compromissos bem antes (e bote antes nisso!) do horário marcado. Tenho aquela ansiedade de chegar logo. Mas, essa pontualidade toda me traz muita dor de cabeça porque somente eu sou assim, geralmente os outros sempre chegam depois (bem depois!) do que marcaram comigo. Fico muito chateado porque para mim isso mais do que falta de consideração, é falta de educação! Sim, tenho nisso alma britânica. E também adoro tomar chá (risos).
Ultimamente tenho pensado nesse tempo que está correndo. O ano está terminando e, como nos anos anteriores, estou sentindo aquela depressãozinha apontando. Ando muito pensativo. Introspectivo. Fico inquieto pensando em mil coisas para fazer e, no final, não faço nada. Isso acaba comigo. Sinto minha incapacidade perante a vida. Ela me parece oca demais. Pior ainda é sentir essa culpa por não saber ainda lidar com isso. Tento levar numa boa. Rir dessa situação. Mas, chega num dado momento como agora que fica esse vazio de respostas às minhas inúmeras perguntas. Será se eu quebrar um relógio com uma marreta me sentiria melhor? Ou rasgar todos os calendários? Coisas assim...
Houve um tempo que nem pensava nisso. Viver era tão fácil. E havia um sentimento de dia vivido plenamente que faz com que eu pergunte onde esse EU foi parar. Se alguém esbarrar com ele por aí peça para ele voltar para mim com urgência. Claro que sei que estou vivendo uma clássica crise existencial. Sei que tenho que passar por isso porque faz parte da minha evolução como pessoa.  Queria apenas fazer as pazes com o tempo. Brincar com ele de vez em quando. Voltar a sorrir enquanto olho a areia de uma ampulheta caindo e formando apenas um castelo para os meus contos de fadas.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Numa noite dessas

Minhas noites são longas demais. Longas e solitárias. A maioria dorme e se enveredam nos seus sonhos e eu mergulho na realidade. Penso tanto conforme o passar das horas, algumas imprestáveis, outras apenas por esse vicio humano de raciocinar. A minha cabeça faz mil viagens. Anda de um lado para outro. Voa para frente e para trás. Viaja na sua própria história e nas dos outros.
Sei que essa será mais uma noite com esse mesmo toque. Não tenho mais medo. Acostumei com essa condição. Um dia o sono vem e me leva. Até lá fico aqui inventando mil modos com minha solidão noturna. Claro que sei que existem outros por aí que vivem a mesma coisa que eu. Minha curiosidade é saber como que lidam com isto. Eu lido assim... Assisto meus programas de TV, como alguma coisa, navego na net, crio meus textos e meus mundos... e a noite vai acontecendo.
Numa noite dessas dormirei sem tomar noção do tempo. Nem vou sonhar. Acordarei no outro dia me sentindo inteiro outra vez, porque agora, neste instante me sinto apenas um caco afiado que rasga o véu escuro da noite. Agora sinto que sou apenas uma sombra, mais uma, nos becos frios de uma noite matreira. Sou eu. Um vulto. Uma sombra. Ou como já dissera meus pais: Uma assombração perambulando pelos cômodos da casa.
Minha cabeça vai sossegar. Terá descanso. Nada pensará. Nada sonhará porque essa minha cota de sonhos estou gastando acordado. Nada mais, nada menos... Ficarei inteiro novamente para enfrentar qualquer coisa que queira me atingir. Que venham! Depois de uma noite perfeita de sono poderei guerrear contra qualquer inimigo e serei capaz de vencer.
Dormir como pedra. Nem sei se pedra mesmo vem a dormir. Nem sei se elas sonham alguma coisa, mas serei uma delas numa noite vindoura. Lá na frente me vejo deitado tendo minhas sagradas oito horas de sono. Vejo meu relógio biológico rodando pelo lado certo, na velocidade certa, vejo o tempo respeitando minha necessidade de descanso. Lá eu me vejo sorrindo enquanto durmo. Vejo meu corpo em estado de repouso absoluto transformando minha cama no melhor paraíso. As horas serão amigas. Meus olhos se fecharão rapidamente como um desligar de computador. Pluft! Todos seus arquivos foram devidamente salvos.
Falo dessa maneira porque me cansa essa minha parcial insônia que me toma. Numa noite dessas serei mais um entre tantos que acordará e verá que tudo não passa de um tremendo sonho a se realizar.

O EU nas entrelinhas

Escrever é um forma de se encontrar e também de se perder. É um desenrolar de pensamentos soltos que boiam no espaço aberto da mente. Escrever é organizar de alguma forma a desorganização que existe em nós. Chamo de desorganização com a incerteza já que é algo que minha própria natureza se alimenta. O que chamo de desorganização é aquela organização que me escapa. Nela existe tanta liberdade que ninguém consegue entender muito bem. Essa liberdade é tamanha por isso assusta. Dar nome é um modo (seguro?) de organizar. Um modo de apreender essa liberdade encaixando-a num epaço qualquer de consciência.
Escrever é uma busca de tesouros que já são nossos. É mexer nas gavetas da memória, nos armários dos sentimentos, nas engrenagens da inteligências. É uma minuciosa busca de se construir de novo, de novo, de novo. Nessa busca interior encontro outros personagens que sou. Maneiras diferentes de ser. Tenho muitos rostos, nem estou falando de falsidade. Estou falando em maneiras (in) conscientes de sobreviver.
Escrevendo vou tomando maior clareza do que sou, do que penso, do que sinto. Por meio das palavras, me aproximo deste querido estranho. Como um certo amigo uma vez reclamou de não entender os "mecanismos" que acontecem comigo, digo que quisera quisera responder que entendo, mas não. Infelizmente eu não me entendo claramente. Tento apenas respeitar meu próprio mistério, as minhas inconstâncias, meus mecanismos. Respeito o que não entendo. E acho que foi exatamente  a falta desse respeito que transtornou minhas relações. Perguntar às vezes machuca sim. Já sangrei muito.
Neste escrever vou dialogando calmamente com várias partes de mim. Vou desvendando, me apaixonando. O amor sempre vem depois do conhecimento. Do contrário seria delírio.
Escrever é um modo de manter meus pés no chão. É ancora que me mantem dentro da realidade. É um meio de aceitá-la para depois ir tranformando-a. Mas, escrever já é um modo de tranformação dessa realidade. A escrita suaviza o que existe. Vai acariciando uma fera que morde quem se vê pela frente.. Sim, é um modo de amansar o nervoso cotidiano que nos esmaga como pequenos insetos.
Escrever é um modo de existir. É um modo de continuar falando, falando até que alguém escute e depois entenda e depois explique. É um processo vivo e interessante. Todos podem vivencia-lo, mas apenas os corajosos em navegar em suas próprias linhas pode sorrir ao mesmo tempo que derrama lágrimas.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Falando em chuva

  Contemplo a chuva que suavemente molha o solo. Imagino a felicidade daquela gota que cumprira de maneira heróica sua sublime missão. Ela que nascera para morrer em seu primeiro beijo. No momento exato que sentira o solo concreto, duro e frio.
  Imagino a ansiedade dessa gota que já nascera com um destino: morrer. E não uma morte infrutífera. É uma morte que dá vida numa entrega total. O solo espera o beijo molhado, tem sede dele. Olha o céu cheio de nuvens que, por sua vez, estão cheias de possibilidades. Entre esse céu e esse chão estou eu. Eu que anseio a mesma coisa. Eu que espero algo que ainda não chegou. Estou sempre esperando. Claro que já houve algumas desistências, depois algo reacende minha ânsia. Não falo de amor. Esse sei que vem um dia, fere e mesmo assim deixa um gosto de felicidade possível.
  Meu céu está nublado como lá fora. Estou pesado como as nuvens cinzentas. Estou querendo me aliviar e dar neste alivío alguma vida para alguém. Como faço para me desfazer? Quero deixar de existir por um tempo. Quero existir no outro, mas não como parasita. Que um pedaço de mim fique gravado em alguém. Chover é marcar, é ferir. Vai matando a sede e deixando marcas de missão cumprida.
  Eu gosto da chuva. Ela me leva a reflexão mesmo no meio do meu próprio caos. Faz com que eu pense no sentindo da vida que consiste em fazer germinar mais vida, mais frutos.
  Minha vida tem que ser essa chuva que desce ao encontro daquele que precisa. Daquele que clama com tamanha sede uma chance pra ser feliz.

Espelho meu

  Além do espelho está a pessoa mais importante de sua vida. Tão importante que nem damos conta do quanto. Convivemos com ela, falamos dela, no entanto ainda nada sabemos dela. E ela existe. Não é apenas uma imagem.
  Sei que acontece de vez em quando nosso espelho interior estar rachado. É uma marca, uma ferida ou trauma, enfim não importa o nome que se de a essas rachaduras. O que importa é que, por causa delas, vemos o mundo e inclusive a nós mesmos numa feiura desmedida. Não acredite em tudo que seus olhos veem. Não se entregue demais a primeira beleza que encontre no caminho. Pode ser apenas um reflexo de luz e nada mais.
Ame o ser que você é. Ame sua real pessoa. Abrace a si mesmo muitas vezes. Ouça seu próprio silêncio. Aprenda a se perdoar. De várias chances se preciso até que aprenda. Ria de si mesmo. Divirta-se. E Ao seu olhar cure suas rachaduras se amando sempre.