quarta-feira, 31 de julho de 2013

Toque certo

Observando um dia um homem, senhor de idade, dedilhando nos teclados do piano fiquei pensando como sua música vinha da delicadeza do seu toque. Era preciso apertar as teclas certas para o piano "cantar". Vi-me diante de um dos mistérios da vida. Ela que é toda músical, toda feita de sons e silêncio para se escutar. Fiquei imaginando que cada um de nós somos também instrumentos que devem produzir sons belos que alimentem esse mundo com fome do Belo. Esse mundo que vive tantas feiuras, tantas desilusões... Somos instrumentos que precisam do toque certo. Tenho comigo que relacionamentos que acabam, sejam eles quais forem, são frutos dessa falta do toque certo. Aquele que faz nascer a música. E nasce da junção do instrumento com o que vai tocá-lo. Nunca fazemos música sozinhos. Precisamos aprender a tocar e a deixar ser tocado. Precisamos nos render mais, aproximarmos mais e deixar que nasça a verdadeira música que o mundo deve ouvir.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Ruínas

Todas essa pedras amontoadas no chão foram um dia uma história, uma vida, uma amizade... Foi construída assim como não quer nada. Cada dia um tijolo, um cimento, uma edificação. Foi sendo erguido devagar no bate papo descontraído, nas confissões nas horas de luta, nos suores derramados no calor do dia. Foi sendo criado quase que do nada aquele prédio alto e bonito de nossa amizade. De longe o poderíamos vislumbrar. Que monumento aquele? Que belo quanto pronto. E ficará pronto um dia? Um dia. Um dia bem distante porque estamos sempre em tranformação constante. Todos viam nossa união, muito desejavam fazer parte daquela roda que não era fechada em si mesma, nunca foi porque não era preciso. Nossa amizade era tão sólida que os ventos sopravam em vão. Tinha alicerces firmes. Nada o derrubraria então. Mas, que engano. Internamente foram aparecendo as pequenas rachaduras, pequenos furos que não demos importnância alguma. Daí aquelas infiltrações que pingavam no nosso chão. Vazamento por todo lado. Tudo esvaindo-se... O mofo foi tomando conta do lugar. A poeira de fora assentando por toda a parte. Foi acontecendo tâo devagar, tão delicadamente que não demos muita importância. Uma hora consertamos, foi o que dissemos. Deixa que amanhã se vê isso... e deixamos... e esquecemos. No primeiro terremoto a estrutura não suportou e foi ao chão. Daquela amizade, apenas ruínas. Um amontoado de pedras desgastadas no chão da memória. E as pedras ainda contam como fomos felizes dentro de suas paredes que nos protegiam e hoje choram a saudade. E no meio delas nasce a flor branca de doce perfume chamada ESPERANÇA.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O agora

Neste momento a vida me proporciona tanta coisa. O cotidiano me convida para mais uma vez olhar e desfrutar a beleza da existência. Existir é uma benção. Pena que a maioria não ache isso. Viver é a melhor aventura que temos e que podemos ter. Cada existência torna-se com isso sagrada, abençoada. E viver é exatamente tomar consciência de que existo neste exato momento. Não existo mais no passado que se escondeu nos arquivos da memória. Nem no futuro que ainda não aconteceu. Sou parte do hoje, do agora, do "nesse momento". É aqui que existo com meu jeito de ser, com meus erros e acertos, com minhas fantasiosas realidades e reais realidades. Sou parte desse relógio sem ponteiro que pulsa a cada momento. Isso é maravilho.
O agora nos espera para sermos UM com ele. E desfrutarmos toda uma soma de coisas que constroi a vida. Claro que podemos recusar e viver uma psedovida num espaço e tempo criado pela nossa imaginação ou podemos nos lançar ao que é verdadeiro e essencial em nós. O tempo vai passando, passando, passando... Cada minuto, segundo torna-se precioso. Os dias vem e logo se despede. Viver é urgente. Viver é mais do que urgente. É questão de vida ou morte! Nós que decidimos. Abraçando o agora ficamos com o verdadeiro e damos valor aquilo que temos em mão. Viver é tomar consciência do agora em nós....

terça-feira, 16 de julho de 2013

O homem do piano

Nesse momento os dedos ágeis batem no teclado de modo delicado. E a atmosfera enche da música mansa, melódica... um som triste. Ah se minha solidão cantasse... Talvez seria esse o fundo perfeito. O homem se entrega numa paixão toda musical. Enquanto toca emite uns sons pela boca. Algo que lembra gemidos. A música o penetra profundo parecendo existir somente ele e o piano. É gostoso de ouvir. Somos embalados no seu sentimento. Ele compartilha conosco o que é seu mais fundo, mais profundo. Pelas teclas do piano ele nos comunica o incomunicável. E nós bebemos de sua fonte.
Sou tomado por certa curiosidade: o que o levou a aprender piano? Que não é todo dia que vemos, ou melhor ouvimos alguém tocar piano. Principalmente num lugar público como esse que estou. Pergunto-me também se ele navega na música. É mar imenso e todo azul. Somos seus tripulantes indo... Indo para onde? Talvez nem mesmo ele o saiba de certo. Talvez nem mesmo ele saiba que estamos com ele. Que estamos tripulados em seu návio rumo a algum lugar ou a lugar nenhum. Talvez seja assim, talvez tenha que ser assim... Navegar sem rumo apenas sentindo a música nos envolver nessa doce viagem.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Esperando

Já fiz tudo que estava em minha mãos. Tudo o que me cabia, agora deixo o tempo despertar  as sementes lançadas que plantei com a esperança e estou regando com minhas lágrimas. Sei que um dia comerei os frutos da promessa e virei a sentir seu sabor... Sabor de vitória que me dirá que valeu a pena cada minuto esperando. Até lá ainda sinto que deverei trilhar muitos caminhos que nem sei para onde me levarão. Levo comigo na bagagem muitos sonhos ainda para serem plantados... O mundo que é todo um deserto vou plantando sonhos e esperando que se torne um dia um lindo jardim onde pousarei meu olhar e verei o possível num mundo de impossibilidades. Verei que cada amanhecer é um milagre e que a vida é feita de espera para se alcançar... Lá na frente em algum lugar verei tudo que desejei se transformar em realidade pura. Tenho fé na vida. Cada não me aproxima de um sim. Vou seguindo em frente sem medo de ser feliz. Vou batendo nas portas até que uma esteja aberta. O que importa é que terei o que espero. Mais cedo ou mais tarde.