sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Silêncio persistente

Meu pai entrou em casa.
Sem saber invadiu minha zona de solidão, de isolamento,
que também posso denominar salvação.
Ele foi até a cozinha, mexeu em alguma coisa,
comeu e veio cortando meu espaço.
Falava comigo numa obrigação paterna
e eu no meu silêncio de clausura.
A voz de minha irmã veio na lembrança,
ela sempre pergunta,
mesmo quando está sendo inconveniente.
Eu não.
Neste momento me restrinjo em respeitar o mistério dos outros
para que respeitem o meu.
Assim, sem esbolçar qualquer curiosidade,
sem emitir um som que fosse,
vi meu pai cruzando a porta.
E no meu silêncio gozei de uma alegria íntima de minha solidão.
Fechei-me novamente em meu retiro.

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