A pagina ainda continuava em branco na sua frente. Nada vinha em sua mente que já fora um dia criativa. As palavras voavam para longe de sua janela. Sera que migraram para outros mundos alem do seu? Sera que o poço de sua genialidade enfim secara. Ali, a pagina em branco o convidava a refletir a repeito de si mesmo... do que fora... do que vira a ser após aquela tarde fumegante em que não somente o sol ardia. Sua cabeça era um fogo que se consumia no desejo de criar e nada. Tudo era um vazio existencial. Tudo um nada que o engolia naquela alvura do texto que nem dava sinais de querer nascer.
Cavava poços em diversos lugares, pessoas e assunto. Nenhum despertava um real interesse nele. Ou mesmo aquele sentimento de que a vida tem sabor e como é delicioso as vezes viver. Havia nele aquela teimosa esperança que dizia que em algum lugar lá na frente acharia como certeza o que procurava com avidez. Cada esquina uma decepção. O que faria se nãoa mais pudesse escrever já que essa era sua única forma que encontrara de mergulhar nos misterios que a vida se tornara?
Num determinado momento começou a andar pelas ruas tão suas e esquecidas. Olhava para os vizinhos que lhe sorriam desejando um bom dia. Conversava com as crianças e ensinava algumas cantigas de roda da sua saudosa infância. O dia foi sendo digerido por mil viagens em mundos que avizinhavam ao seu proprio. Sentia-se mais perto do que se podia chamar de humanidade. O sorriso facilmente voltava a nascer em seus lábios. Tudo em cor. Agora sentia-se preenchido. Ele não era mais uma pagina em branco porque aprendera a escrever nas linhas tortas cada palavra na sua forma mais pura: sendo vivida intensamente.
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