terça-feira, 4 de junho de 2013

Mergulho

      E de novo estou eu na beira do precipício de mim mesmo. Sei que não posso voltar pelos caminhos percorridos... já fugi demais e uma hora sei que terei que enfrentar. Ah! Se eu apenas pudesse voar além daquele horizonte que me acena a mão amiga... se pudesse pegar carona nas asas do vento e ir para bem longe de mim mesmo... do que sinto... de minha cruel realidade... além dos meus sonhos... sim meus sonhos que atormentam pedindo que os realize. Que me puxam para baixo para que os olhe e lhes dê alguma chance.... Queria apenas não poder mais pisar em meu solo tão sagrado. Temo os mistérios que podem a vir mostrar seu rosto (que é o meu próprio rosto). Não olho mais os espelhos além do necessário.... vejo-me apenas quando possivel. Por que? Não sei dizer ao certo apenas faço sem saber ou pensar nos porques. Pensar é tocar nesse solo que é tão gelado, ressequido, as vezes é uma lamaçal sem fim em dias de lágrimas. Chove dentro de mim e fora também. O precipício me chama. Já sabe que estou aqui e que não tenho escolha. Là vou eu me lançar nesse abismo nebuloso que sou eu... e assim tentar poetizar mesmo sangrando o meu mergulho.

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