Hoje boa parte do dia choveu. O que para mim foi motivo de alegria. Gosto muito da chuva, dos efeitos que ela causa dentro de mim. Foi uma chuva mansa que molhou delicadamente as ruas, os telhados, as pessoas que se aventuraram a sair de casa.
Gosto também da sensação que fica quando cessa a chuva. Sensação de limpeza. Suavidade. Tudo fica mais claro, lúcido. E essa chuva me toca dleicadamente a alma arracando de mim algumas impurezas encrustadas. Algum pensamento desnecessário. Sinto agora esse alívio de apenas carregar o mínimo para sobreviver.
Depois das chuvas minhas sementes lançadas começam a nascer em algum lugar. Ideias dão a luz a minha complexa vida, ou vice-versa. Vida limpa depois das enxurradas e olha que essa semana tive muitas enxurradas emocionais. Mas, ainda assim, o que ficou de pé aqui dentro er apenas o que deveria existir. Minha essência talvez. O meu mais profundo eu.
As sujeiras se deixam levar. Até elas se cansam da mesmice, do sendentarismo seja fisico ou intelectual.
Essa chuva que banhou a pequena parte do mundo, do mundo que faço parte, da parte que existo ao mundo, tornou-me mais límpido para... Para que mesmo? Enfim, para que novas sujeiras venham encrustar minha carapaça existencial.
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