Olho essa multidão que por mim passa
marcham rumo algum lugar
em busca de um pouco de vida...
Rostos vazios.
Corações sedentos.
Nada em nada.
As falas sempre o mesmo tom de pedido.
O homem não vive só, dizem.
Quem inventou a solidão?
Quem?
Nela deve ter se enterrado...
Eu caminho nesta calçada fria
ainda não sei o que estou buscando
talvez nada...
Apenas busco para ter certeza que estou vivendo
Isso viver é buscar...
morrer talvez seja quando encontramos.
Nos rostos, nos olhos, nas pessoas
que surgem aqui e ali
nada aponta um caminho
mas, sei que ela é feita de pedras
que algum solitário montou
enquanto esperava...
Um poeta das pedras que nada dizem
e dizem tudo.
Nelas escrevo um pouco as histórias de meus pés cansados.
Nelas sinto as pegadas quentes de alguém que passou por ali.
Imagino o que ela sentiu ao pisar ali.
Tudo possivel.
Ando rumo a...
Um dia chego.
Um dia.
Sem pressa chego.
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