sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um dia chego

Olho essa multidão que por mim passa
marcham rumo algum lugar
em busca de um pouco de vida...
Rostos vazios.
Corações sedentos.
Nada em nada.
As falas sempre o mesmo tom de pedido.
O homem não vive só, dizem.
Quem inventou a solidão?
Quem?
Nela deve ter se enterrado...
Eu caminho nesta calçada fria
ainda não sei o que estou buscando
talvez nada...
Apenas busco para ter certeza que estou vivendo
Isso viver é buscar...
morrer talvez seja quando encontramos.
Nos rostos, nos olhos, nas pessoas
que surgem aqui e ali
nada aponta um caminho
mas, sei que ela é feita de pedras
que algum solitário montou
enquanto esperava...
Um poeta das pedras que nada dizem
e dizem tudo.
Nelas escrevo um pouco as histórias de meus pés cansados.
Nelas sinto as pegadas quentes de alguém que passou por ali.
Imagino o que ela sentiu ao pisar ali.
Tudo possivel.
Ando rumo a...
Um dia chego.
Um dia.
Sem pressa chego.

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