Tentei arrumar minha bangunça, juro. Coloquei algumas coisas que nada mais me serviam no cesto de lixo. Despedi-me de um outro eu que um dia existiu e de que não prestava mais. Esse era descartável demais. Joguei sem pensar duas vezes. Peguei todo minha culpa e incineirei. As cinzas voaram num vento qualquer que passou pela minha janela. Se foi...
Meus amores amrelados estava congelados numa foto apertada demais para conter minhas emoções. Os amores não eram importantes quanto eu pensava. Serviram para me mostrar minha capacidade de amar... de odiar... de esquecer. Rasguei alguns desses amores antigos em mil pedaços. Amores que andam e falam, mas que me despedi tarde demais.
Lavei os objetos. Coloquei tudo dentro da copa. Tudo numa perfeita desordem. Nem me incomodou isso visto que nesta desordem achei minha liberdade perdida. Peguei-a com cuidado extremo. Ela é frágil, tímida. Agarrei-a junto ao meu corpo. Parecia bem menor do que eu me lembrava... Talvez seja por isso tão fácil de perde-la. Sei que se eu não tomar cuidado vou perde-la novamente e talvez nunca mais tenha chance de achar. Nem São longuinho me ajudará então...
Varri minhas poeiras todas. Foi dificil ver que tudo se reduz naquela poeira toda. Que tudo se diminue, se dissolve. Que tudo se esquece, perdeo sentido, o valor. O nome passa. Tudo que sentia em relação aquilo acabava sendo somente alguma coisa varrida debaixo do tapete.
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