Tem gente que me questiona até hoje dos meus sumiços. Explico-me. É que tem períodos de minha vida que eu me sufoco com meus compromissos, com meu cotidiano, com as pessoas amigas ou não. Nesse momento que algo dentro de mim diz que é hora de tomar distância e lá vou eu saindo por uma porta qualquer e indo por ruas tortuosas em busca de paz. Encontrei muitas vezes, viu?
Não sei como os outros lidam com o peso do dia a dia, mas comigo é necessário esse distanciamento para respirar um novo ar. Refrescar minhas emoções. Tomar novos ares e conhecer a vida de um outro jeito. E funciona porque sempre volto mais forte. É como aquela modalidade atlética de salto com vara que precisa tomar distância para poder voar além do limite estabelecido. E como tem limites na vida. Muitos que nós mesmos permitimos. Lá vou eu ganhando distância para depois saltar o mais alto que eu puder e se for possível voar além desses limites nojentos que fazem com que a gente acredite que a vida se resume aquilo, que nada além dos montes tem outras estradas que levam a tantos caminhos, basta transpô-los.
Neste momento me distanciei de um monte de coisas e ainda sinto-me perto demais. Dou passos para trás (não no passado) apenas vou ficando como observador de algumas coisas. Vejo muito. As pessoas me ensinam muito até com seus erros e tento aprender, é claro, com meus erros também. E tem essa. Às vezes tomo distancia de mim mesmo porque acabo muitas vezes sendo meu próprio obstáculo. Pulo, pulo mesmo. Para depois poder soletrar com todas as letras possíveis a palavra FELICIDADE.
Ninguém entende minhas distâncias, mas elas fazem parte do meu kit de sobrevivência que acredito que todo mundo tenha. Possuo muitas coisas ali que me “protegem” de algumas situações. Digo algumas porque sempre algo me surpreende e isto é bom. Gosto de surpresa, gosto de não ter roteiro, de não ter placas no caminho. Gosto de caminhar sem rumo de vez em quando. Sem me preocupar com o horário da volta. Um dia eu volto, sempre volto, porém com algumas diferenças: estou mais forte. Menos desgastado.
Neste momento estou distante, sei que estou. Estou de férias de algumas tantas coisas. E está tão bom. Viajar sem mala. Sem nada. Viajar sem sair do lugar, porém estar em outro mundo que se esconde dentro de outro tantos mundo esperando que alguém os descubra. Vou caminhando, não posso parar de vez. Paro somente para ver o por do sol. Até o sol tem seu descanso por que não terei o meu? Noites calmas que me escondem. Eu fico apenas contando as estrelas que brincam no céu. E digo a elas que um dia desses as alcançarei com certeza. Elas sorriem brilhando ainda mais. Um dia pulo nessas alturas, mas até lá vou apenas ganhando distancia.
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