quarta-feira, 13 de abril de 2011

Roda dos mundos

Sim, era um reunião. Uma reunião de oração em que cada alma ali presente buscava um tipo de salvação. Havia um desejo de tocar no mistério que os envolvia. Um mergulhar no próprio oceano de insciência que nascia nos lábios que mexiam articulando palavras. Não eram as palavras importante, mas o que elas apontavam. Palavras são apenas uma ponte que a gente decide ou não atravessar. Muitas vezes não atravessei. Faltou coragem de minha parte. Infelizmente às vezes sou covarde e muitas vezes sabendo disso.
Havia eu e eles. Rostos que muito bem conhecia porque não era a primeira vez que nos reunimos. Já haviamos tecido um pouco de história entre nós. Já havia lembrança e isto que a vida permite que tenhamos: lembranças. Porque todo o resto é engolido pelo buraco negro do tempo. Neste momento é de lembranças que me valho para escrever. Foi puxando os fios que vem trazendo as muitas reuniões que já tive, os muitos encontros que a vida me permitiu (alguns claro contra minha vontade, mas é assim que crence). Lá estava eu num canto qualquer da sala e depois num canto qualquer da mesa. Sentei numa cadeira já que a dona da casa insistia. Falava conforme os assuntos vinham sem saber no perigo que tais palavras poderiam causar. Falar é torna-se visível aos olhos do outro. Já sofri com isso porque nunca sou inteiramente o que revelo. Aquilo é uma parte borrada e todo mundo ao ver aquele borrado deduz que sou apenas aquilo. Não, não sou.
Ali a conversa nascia desprendendo dos lábios com certa rapidez de um tiro. As piadas, sim as piadas nasciam também com a intenção de descontrair e por alguma razão eu não me divertia. Talvez pelo fato de que tantas vezes fui citado no meio dessas piadas e aí o choque. Meu mundo estremecia como um terremoto que mais ninguém perceberia porque para perceber meus terremotos as pessoas tem que ser sensíveis. Risadas vinham estridentes. Calei-me tantas vezes desejando apenas que aquela reunião terminasse. Não somente a reunião, mas também minha missão que é tão somente existir.
Os outros mundos giraram em torno de mim. Olharam-me sem, porém me enxergar. Pensei em explodir. Apenas pensei. Não, não queria explodir. Talvez em meio aquilo tudo aprenderia com muita dor a valorizar as pessoas e seus mundos e nunca, nunca mesmo entrar sem pedir permissão. Porque pode ser que eu não seja bem vindo. Tem mundos que foram feitos apenas para existir e não podemos explora-los. Seu maior trunfo é o mistério que o envolve.
Os amigos comeram, beberam, falaram. Depois cada um seguiu seu caminho no tempo e no espaço. Fiquei outra vez sozinho comigo mesmo no meu mundo que tem seus prórpios mistérios que não tenho pressa de conhecer.

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