segunda-feira, 25 de abril de 2011

Matando a fome

De repente me deu uma fome de algo novo, diferente. Algo que todo mundo sente necessidade em algum momento. Uma fome de viver. Essa fome veio me tomando o ser inteiro. Tanto que me pegou de surpresa sem saber ao certo como começar. Começar nem sempre é fácil, nem sempre é previsível. A fome nos leva ao alimento. Sinto fome de poder experimentar a vida nos diversos temperos por aí. Um pouco apimentada talvez, menos salgada, mais saborosa, menos insossa. Sinto vontade de devorar sem pensar se estou cometendo alguma gula. Vida não engorda.
Levado por essa grande vontade já fui às bancas das livrarias e nas páginas de internet encontrei algumas receitas sim, mas nenhuma delas foi capaz de saciar minha fome. Parecia tudo muito pequeno, reduzido demais nas fórmulas. Receitas prontas não fazem muito meu gênero. Decidi pegar essas receitas e mistura-las dentro de mim e fazer uma receita que seja própria a minha fome.
Não preciso ir ao mercado buscar qualquer coisa. Tenho todos os ingredientes. Nasci com eles. Alguém um dia falou que viver é simples. Se assim fosse por que tanta gente ainda morre de fome por aí? Simplicidade complicada essa. Talvez porque as pessoas transformem esse momento tão simples e singelo numa grande aula de química. Onde temos que juntar elementos e decorar fórmulas já prontas por algum sábio. Nunca gostei das aulas de químicas.
Para muitos a hora de comer é um tormento. Come-se com pressa porque o tempo é curto demais. Ou então se come pensando na sobremesa e esquece que tudo tem seu tempo. Diversão não é tudo. Enfim, estou aprendendo a saborear cada momento porque sei que único e que esse sabor é que tempera todas as coisas. Acordei mais leve hoje, mais satisfeito por querer aproveitar a vida. Não tem uma receita, mas tem um monte de elementos que juntando pode dar aquele toque inesquecível que dará algum sentido ao curto tempo que temos para saciar a nossa fome.

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