Nem me lmebro quando ela apareceu na minha vida. Talvez foi naquele exato momento em que tomamos consciência do lado negro de nós mesmos. Ela apareceu sem cerimônia alguma e foi se instalando. Sorriu e pude sentir seu hálito que me embrulhou o estomago... Alias até hoje sinto meu estomago enjoado quando penso nela. Estava mal trajada. Falava alto. Muito alto para ter certeza que eu ouviria cada uma de suas palavras. Não precisava. Havia até no silêncio que se fazia na pausa aquele odor do veneno exalado. Quis fugir. tentei fugir. Cada esquina que dobrava aumentava meu desejo de libertação. Ela não andava. Voava. Voava em suas asas negras de anjo da morte. Continuava falando e eu? E eu morrendo aos poucos com aquelas verdades cuspidas em meu rosto. Verdades que feriam meu intimo, me cortavam em pedaços impossivéis de se recompor... Era ali ali caido na sarjeta. Rezava para a terra se abrir faminta de mim e me engulir num só bocado. A terra não se abriu... Nem ao menos se importou comigo. Ningém se importou comigo naquela noite sem fim. E o desespero aumentando, aumentando tanto. O que fazer? Nem vicio tinha para descontar. Acho que é num desses momentos que alguém fuma, bebe ou simplesmente se entorpece para esquecer. Eu, pobre miserável,fiquei ali sentindo em cada fibra as duas palavras seguidos de duros silêncios que martelavam a minha cabeça sem parar. Fechei os olhos pensando em gritar. Gritaria até num nivel que sobrepusesse aquela voz maligna e mortal. Contei até três. Um... Dois... e... Silêncio.
Abri meus olhos procurando saber o que houve. Lá estava ela rendida ao chão feita em pedaços. E perto dela um Homem todo ferido passando por aquele beco escuro carregando uma pesada cruz. Nós trocamos olhares. Ele me viu e sorriu. Eu fiquei apenas olhando. No dia seguinte os jornais noticiaram que um inocente morreu em algum lugar e em algum tempo. Fechei meus olhos e pensei... Um inocente morreu por mim.
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